Espermaumanóides

Eis o movimento repetido e ridículo.
Pessoas correndo atrás de cada novo ônibus que chega no ponto. Os veículos estão lotados mas elas insistem de forma hipócrita em dizer que o coletivo está vazio.
Tudo o que elas querem é chegar ao útero de suas casas e se prepararem para nascer junto com um novo dia.
É um fenômeno feio, escravizador e bestial.
Como havia trânsito nas trompas e os espermaumanóides lutavam incessantemente para entrar no carro, esperei 1h30mim na esperança de um óvulo vazio.
Mas depois de todo esse tempo, me toquei que esperar ônibus é foda; o meu trabalho estava um saco e o que eu realmente precisava era gozar do conforto do meu lar.
Enfim. Entrei em qualquer ônibus mesmo e após duas horas entre espera e viagem, cheguei em casa.
Agora fico pensando na correria que foi o dia e tento me lembrar de ir prevenido amanhã, quando recomeça a putaria.

Revoluções (que também fariam sentido)

Revolução Inglesa

Foi a manifestação da primeira crise no sistema da época moderna, identificada com o absolutismo. Ela criou condições indispensáveis para a Revolução industrial do século XVIII e que abriu o caminho para o avanço do capitalismo que, por ironia, se faz absoluto na ex-colônia inglesa e que hoje é a principal potência mundial. Isso se espalha para a maior parte do mundo. Com remorso da situação, a rainha convidou alguns líderes mundiais para tomar um chá das 5 que é uma típica tradição britânica. Como eram muitos os líderes e não havia chá suficiente, ela pediu mais erva emprestada para a vizinha. A outra a negou e disse que devido às condições monetárias, ela só poderia vender, e não dar a especiaria.

Estarrecida com a petulância da velha carcomida e dispensando a formalidade inglesa, Dona Beth encheu a mão na cara da fofoqueira aproveitadora, voltou pro salão onde estavam os líderes mundiais, subiu na mesa e disse "Eu quero que vocês se explodam! Só sei que quem manda aqui, sou eu!". A personalidade forte virou tradição entre as rainhas da Inglaterra. Os guardas reais conhecem essa fama e por isso ficam parados como estátua com medo da reação da manda-chuva. Não pensam nem no que aconteceria se eles deixassem o tráfico de erva tomar conta por lá.

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Revolução Industrial

Quando o homem achou que as máquinas o deixariam moderno, ele simplesmente saiu dos eixos.

Hoje todos nós sabemos que o homem tem um parafuso solto e outras dezenas a menos.

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Revolução Americana

Cansados de serem obrigados a trabalhar em péssimas condições e com medo dos acessos de raiva da rainha Beth, os funcionários do McDonald’s de 13 lojas: Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, New Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia entraram em greve. Os revolucionários tiveram a ajuda dos franceses que enviaram tropas na qual chamaram operação French Fries.

Com essa situação, os colonizados passaram a plantar seus próprios alimentos para manter o seu sustento. Com alimentos saudáveis, aos poucos a saúde dos colonos foi se restabelecendo e muitos entraram para lutar na revolução apenas porque tinham perdido muitos quilos e gordo quando perde muitos quilos quer fazer tudo o que não podia fazer antes.

Entre 1812 e 1815 houve o último confronto e enfim os Estados Unidos conseguiram sua independência. No acordo, além do desligamento mor da Inglaterra, os EUA também conseguiram o direito de terem melhores condições em suas lanchonetes e venderem seus hambúrgueres obrigatoriamente com mostarda e picles, o que levantou a ira da Dona Beth que adorava o seu sanduíche com molho inglês. Mas ela nada pode fazer na época.

No século XX surgiu, por meio de um grupo de fãs do estilo da rainha, a lanchonete Burger King. Lá, o cliente escolhe como quer o sanduíche e prova que é desnecessário o imperialismo entre duas fatias de pão com gergelim e que na monarquia pode-se sim ter a participação do povo.

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Revolução Francesa

Esta se encerrou com um golpe aplicado pelo general que fazia parte da banda podre do militarismo francês, Napoleão Bonaparte.

Um tempo depois, já recuperado, Bonaparte fundou o seu próprio negócio e passou a ganhar a vida honestamente gerenciando a sua própria rede de restaurantes que prevalece até hoje com franquias em diversos lugares e tem como diferencial a sua maionese.

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Revolução Mexicana

Foi uma bagunça desde o início. Os líderes produtores de pimenta malagueta se sentiram prejudicados quando leram "Produtos ACME" nas latas de pimenta dos desenhos animados americanos. Quando surgiu o "Ligeirinho" eles acharam que iriam melhorar as vendas com a inclusão de merchandisings.

Porém, quando viram que o rato mexicano americanizado só dizia 'Ariba, Ariba!' eles ficaram revoltados. Ariba era uma marca intermediária de pimenta malagueta.

Com a propaganda, ela alcançou alto índice nas vendas e disparou na preferência popular. As outras marcas faliram e seus responsáveis tiveram que buscar outras alternativas de sustento. Parte deles se uniu e criou a Zapata Sombreiros ME.

Outros mais visionários criaram a Agência Pancho Villa que 'facilitava' o ingresso de mexicanos nos Estados Unidos. Logo receberam o apelido de 'coiotes' mas não gostaram porque lembravam o coiote do desenho americano que usava sempre os produtos ACME.

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Revolução Chinesa

Houve várias revoluções dentro dessa e disputaram quem era o chinês mais inteligente para conquistar o poder. De inteligência por inteligência, dominaram o mercado da tecnologia barata e do pastel. Também investiram na educação e na criação de empregos para crianças. Milhões de chinesinhos aprenderam a profissão de se fabricar tênis e logo em suas primeiras aulas na escola já aprenderam a escrever as letras N – I – K – E, e a contar moedas de 5 e 10.

No Brasil, há centenas de submáfias de olhos puxados que controlam o mercado de tecnologia, pastéis e produtos alternativos. Todos eles se intercomunicam periodicamente e enviam as atualizações dos negócios daqui lá para a China para prestar contas ao grande chefe da máfia chinesa: o Panda Comy-Bambú.

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Revolução Russa

Culminou na derrota do partido bolchevique e na estabilidade do poder soviético. Formado apenas pela classe trabalhadora, os peões soviéticos se reuniam para encher a cara de vodka barata e darem "showzinho" em cima das mesas. Naquele lugar que em que neva o tempo todo, qualquer um que visse um homem barbudo de braços cruzados e tremendo por causa do frio, escorregando no gelo e usando um chapéu gozado veria que ele só estava bêbado. Mas confundiram isso com danças e roupas típicas e essa merda é cultura até hoje.

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Tez versus Tempo

Hoje não me sinto bem.
Ainda é o mesmo corpo, o mesmo tipo desesperado;
o que é cheio de algo mas ao mesmo tempo nada tem.
Luz, não-luz e os ventos do oeste continuam deixando os pensamentos tortuosos
e o enfado se renova consumindo o tempo como se nunca envelhecêssemos em
pele e em percepção.
Preso em laços próprios e só a cabeça gira desnorteantemente, realizando
um movimento vazio e sem sucesso. Ainda não foi liberto. Ainda não se sabe da liberdade.
Ainda não se sabe nada.
Hoje não me sinto bem.

Menina de Ouro

A família voltava de um churrasco no apartamento de um casal de amigos e, já no carro, a caçula puxa um assunto.


_Mãe, eu quero morar onde os Alves moram.

_O quê? Minha filha, você não gosta da nossa casa?

_Ah, mãe... Gosto. Mas é que os Alves moram no segundo andar e dá pra ir de elevador.


A mãe já conhecia aquela conversa. Em todas as visitas que faziam, a mais nova sempre falava sobre se mudar. Se encantava facilmente com uma portaria, um playground e mais ainda pelo elevador.


_Já pensou se o meu primo vier morar aqui mesmo? Vou vir aqui todos os dias. Aí vamos poder subir e descer no elevador o dia todo.


O pai, que dirigia atentamente, ouviu a mãe dizer para a filha:


_Já que você quer tanto morar em apartamento para ter um elevador, peça a Deus para casar com um homem que more num prédio. Assim você vai poder andar todos os dias.


Como se visse na mãe a pessoa mais insensível do mundo, a menor respondeu:


_Ah, mãe! Aí eu já vou estar grande e não vai ter mais graça. Eu quero mudar logo.

_Certo. Faça o seguinte então: – disse a mãe na tentativa de consertar a frase anterior – peça a Deus para que o seu pai ganhe muito dinheiro. Assim nós poderemos, quem sabe, mudar para um apartamento.

_Hum... Eu já faço isso todas as noites.

_Ah, é? – perguntou a mãe curiosa – e o quê exatamente você fala pra Deus?

_Eu digo pro meu pai ser rico.


Os pais riram da sinceridade da menina. Mas o silêncio dela acabou contagiando todo o carro. Ela estava pensativa.


_Filha, nós temos uma boa casa e um bom carro. Temos até algum dinheiro e por isso não há o que reclamar. – disse a mãe tentando quebrar o silencio da garota.


E como num súbito estalo de reflexão, a pequena diz:


_Mãe?

_O quê?

_Trocador de ônibus ganha bem?

_Ih, minha querida, ganha muito pouco.
_Nossa! Coitado do tio Reginaldo.

Raisa Zan ao vivo no Twitcam

Céu


É preciso fazer um poema sobre o céu.

Mas eu nunca fui lá.




(Adaptado: Drummond, Carlos - Lanterna Mágica; VIII Bahia)

Amarante


E o garoto chega da rua. Desce de sua bicicleta celeste, entra em casa de sopetão e arrasta o all star pro canto. Chega barulhento e é barulho de fome porque de sorte sabe que a mãe já fez o mingau. É certo também que não se aguenta de vontade de tocar o violão e cantar o que viu naquele dia. Porque pra ele é fácil, nunca vi assim.
E lá vai ele com o Giannini, papel e lápis. Toma um guaraná aos goles ticos e finge ser boêmio. E o menino escreve. Escreve empatias e quimeras; vontades, paixões e decepções. Ah, menino... deixa a gente ouvir a sua música também?

"O rio fica lá
A água é que correu
Chega na maré
Ele vira mar
Como se morrer
Fosse desaguar
Derramar no céu
Se purificar
Ahh, deixa pra trás

Sais e minerais, evaporar."

Esse menino vai longe...